O Retorno Longevo de Venus e o Suor de Fritz: O Momento do Tênis Americano
A engrenagem do tênis nunca para de girar, e o cenário atual traz os veteranos e os nomes de ponta do tênis americano dividindo as manchetes de maneira bem curiosa. De um lado, vemos a resiliência inabalável nas quadras duras; do outro, a sobrevivência suada nos torneios de grama europeus.
Aos 46 anos, Venus Williams simplesmente se recusa a pendurar a raquete. A americana acaba de adicionar mais um wildcard e um torneio na sua agenda, com presença confirmadíssima no DC Open. Ela continua marcando território na gira norte-americana de quadras rápidas e mostra que ainda tem lenha para queimar. Por mais que os holofotes nas últimas semanas tenham se virado para a sua irmã, Serena — que fez um retorno daqueles no Queen’s Club após quatro longos anos afastada —, a mais velha das Williams segue esticando a própria carreira. Ela voltará a Washington, exatamente o mesmo palco que usou como laboratório para o US Open há um ano.
Foi lá na capital americana, inclusive, que Venus cravou a sua vitória mais recente no circuito: um surpreendente duplo 6-3 e 6-4 em cima de Peyton Stearns, que na época era a número 35 do mundo. A dona de sete títulos de Grand Slam vinha de cinco meses de “geladeira”, sem disputar nada, mas pisou na quadra com fome de bola e uma precisão que calou quem duvidava do seu nível competitivo. Agora, seu nome apareceu no anúncio oficial do DC Open junto com as estrelas principais da chave, uma sinalização clara de que o planejamento para bater ponto em Nova York está a todo vapor.
Apesar das boas memórias da edição de 2025 do torneio, a realidade da ex-número 1 tem sido dura desde aquela vitória sobre Stearns. A conta já chegou a dolorosas dez derrotas consecutivas, com apenas quatro sets vencidos no período de um ano. Mas se engana quem acha que ela tirou o pé do acelerador. Na verdade, a veterana montou um cronograma de viagens bem mais intenso do que nas últimas temporadas, quando costumava focar em uma única perna do circuito. Só neste ano, ela já jogou seis torneios, passando pela Austrália, pelo Sunshine Double e até dando as caras no saibro de Madri (seu primeiro jogo na terra batida desde 2021).
Tudo indica que ela quer ganhar rodagem, e o torneio de Washington é a vitrine perfeita para simular as condições que ela vai enfrentar em Flushing Meadows. Se Venus decidir encorpar ainda mais o calendário, Cincinnati seria o caminho natural, já que a organização cansou de dar convites para ela nos últimos anos. E claro, com a volta de Serena ao tour, o burburinho sobre uma última dança das icônicas irmãs nas duplas do US Open só cresce. Caso elas decidam jogar juntas, arrumar um wildcard seria a coisa mais fácil do mundo devido ao peso que elas carregam no esporte.
A Marca Histórica de Fritz na Grama Alemã
Enquanto Venus tenta reencontrar o próprio ritmo no piso duro, a atual geração dos Estados Unidos está ralando do outro lado do mundo. No BOSS OPEN, o atual campeão Taylor Fritz passou um sufoco gigantesco contra o garoto prodígio espanhol Martin Landaluce para conseguir carimbar sua vaga nas quartas de final. Foi uma verdadeira batalha de mais de duas horas e meia que terminou com parciais apertadíssimas de 6-7(4), 7-5 e 7-6(3). No mesmo dia, o compatriota Ben Shelton estava no meio de um duelo caseiro contra Marcos Giron, mas o jogo precisou ser suspenso por falta de luz natural e transferido para sexta-feira.
O alívio no rosto de Fritz ao fechar o jogo era nítido. Ele vinha de uma eliminação indigesta na primeira rodada de Roland Garros, semanas atrás, e estava com a corda no pescoço para não repetir o vexame. Jogando sua partida de estreia no torneio de Stuttgart após receber um bye na primeira rodada, o americano de 28 anos foi empurrado contra a parede desde o primeiro game. O espanhol de apenas 20 anos jogou o tie-break do primeiro set com uma coragem absurda, soltando o braço sem medo de ser feliz e salvando três break points no 5-5 antes de fechar em 7-4.
O segundo set foi um teste para cardíacos. Fritz até conseguiu quebrar o serviço cedo e abrir 2-0, mas entregou a paçoca logo na sequência. A tensão seguiu até o 5-5, quando a experiência finalmente pesou na balança: o americano deu o bote na hora certíssima, quebrou Landaluce para fazer 6-5 e sacou firme para empatar a partida.
Já na parcial decisiva, o saque de Fritz virou uma muralha intransponível. Ele não enfrentou um único break point, embora também não tenha conseguido converter as duas chances que teve no serviço do adversário. A decisão foi para mais um tie-break, mas dessa vez o atual campeão subiu o sarrafo. Fritz controlou os nervos, passeou em quadra para fazer 7-3 e fechou o duelo logo no primeiro match point.
Esse triunfo suado não foi apenas mais uma estatística para o currículo. Fritz atingiu a impressionante marca de 350 vitórias no circuito da ATP, tornando-se o primeiro americano em atividade a alcançar esse número. E o mais curioso é que o cara nem sabia do feito. Ao sair de quadra, ele mandou a real: “Eu não fazia ideia disso, mas 350 é bem legal. Adoraria chegar às 500 vitórias um dia. É uma boa meta para se ter”.
Com a confiança reestabelecida, o próximo desafio de Fritz nas quartas de final será o italiano Mattia Bellucci, que já havia despachado o alemão Yannick Hanfmann. Depois do perrengue na estreia, o americano confessou que o jogo elevou seu moral. Mesmo reconhecendo que o início não foi nada brilhante, ele avaliou que melhorou set a set e, no fim das contas, conseguiu até se divertir em meio à tensão da quadra.
