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Cohab coloca praças à venda e revolta moradores
Quatro das áreas são consideradas praças e possuem equipamentos públicos como abrigos em pontos de ônibus, bancos, banheiros e mesas para piquenique
A Companhia de Habitação Popular de Campinas (Cohab) colocou à venda um pacote com 19 terrenos em diversos bairros da cidade que hoje abrigam espaços de lazer e convivência. Quatro das áreas são consideradas praças e possuem equipamentos públicos como abrigos em pontos de ônibus, bancos, banheiros, mesas para piquenique, playgrounds e calçadas para pedestres — tudo instalado pela Prefeitura. As demais áreas, segundo a Cohab, são terrenos baldios onde moradores plantaram árvores e fazem jardinagem.
A venda foi publicada no Diário Oficial do Município no dia 22 de junho. O comprador de uma das praças vai ficar, pela proposta, com os equipamentos públicos instalados nos espaços. As áreas serão negociadas porque são espaços ociosos, segundo a Cohab. O valor inicial de venda de todos os 19 lotes juntos é de R$ 2,58 milhões. Leva quem oferecer o maior preço — pode-se comprar também uma única unidade separadamente. As quatro áreas que se tornaram praças ficam nos bairros Vila Padre Manoel da Nóbrega (2), Vila Santana (no distrito de Sousas) e Vila Rica.
A ideia de venda desagrada os moradores das áreas no entorno das praças. Eles se recusam a aceitar a decisão da companhia. Na Vila Padre Manoel da Nóbrega, uma das praças colocadas à venda localiza-se entre as ruas Batuíra, Canário e Cotovia. Ela tem área total de 838,5 metros quadrados e terreno avaliado em R$ 260 mil.
No espaço além de balanços e gangorras, existem três abrigos de paradas de microônibus, banheiros, bancos e mesas para moradores utilizarem para fazer piquenique. E, segundo os moradores, é o único local de lazer da população no bairro. “Moro há 36 anos e cresci junto com a praça. Inclusive os próprios moradores plantaram mudas de árvores no gramado”, afirmou a dona de casa Regina Helena da Silva. “Aqui funcionam três pontos finais de coletivos. Se tirarem, vai mexer com a vida da população.”
Na semana passada, funcionários da Cohab colocaram uma faixa anunciando a venda do local, imediatamente os moradores a arrancaram. E afirmaram que farão o mesmo toda vez que novas faixas surgirem. “Mesmo se colocarem o anúncio da venda com concreto ou aço nós vamos dar um jeito de arrancar. Pelo menos é uma maneira de tentar impedir essa crueldade”, afirmou o montador Hamilton Alves da Silva, de 23 anos.
Fonte: www.rac.com.br
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