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Por Eneias Oliveira e Rayssa Anicezio
Com aproximadamente 50 famílias, o Beco Mokarzel no Distrito de Sousas, apresenta problemas estruturais que afetam os moradores. Nos primeiros meses do ano, época em que a ocorrência de chuvas é elevada, a área que fica às margens do Rio Atibaia, é atingida Poe enchentes. No entanto, além dos fenômenos naturais, diferentes interesses contribuem para o quadro.
Classificado como área de Proteção Permanente (APP), o local está ocupado há mais de 50 anos, de acordo com o Centro de Memória da Universidade de Campinas, localizada em Barão Geraldo, UNICAMP.
Por sua localização, neste meio século inúmeras cheias invadiram casas e trouxeram prejuízos e riscos para a comunidade. Nos dois primeiros meses do ano, cinco enchentes atingiram a área.
O ex-morador Charles Carneiro Bruno, 25 anos, conta como foram os seis anos em que residiu no local. “Quase todo dia tinha que trocar os móveis. Eu queria sair de lá, mas não conseguia por causa da renda”, conta.
A limitação enfrentada por Bruno é comum em muitas famílias, como ressalta o Subprefeito do Distrito, Lucrécio Raimundo Silva. “O problema de residir em áreas de risco é antecedido por questões sócio-econômicas como falta de emprego, renda insuficiente e baixa escolaridade”
Com o objetivo de retirar as famílias da área, ao longo dos anos a Prefeitura de Campinas apresentou diferentes projetos. O Secretário Municipal de Habitação e Presidente do Fundo de Apoio á população de Sub-Habtação urbana (FUNDAP) , André Luiz Camargo Von Zuben, relembra uma das iniciativas. “Em fevereiro de 2003, quando houve uma torrencial chuva e Campinas, com o agravamento de alguns diques que romperam na região de Sousas deixando dezenas de famílias desabrigadas, a Prefeitura, junto a órgãos da Defesa Civil, transferiu moradores para outras áreas, alugando na época, 19 casas onde instalou cerca de 25 mil famílias”.
Com a medida, pessoas muitas vezes sem vínculo, passaram a viver sob o mesmo teto, o que ocasionou problemas de relacionamento. “Em razão da pouca oferta de imóveis na região de Sousas e também pelo alto custo dos aluguéis, a única alternativa encontrada foi essa, uma vez que deveria ser por tempo determinado”, argumenta Von Zuven.
Criado no local, o representante da comunidade, Enoque Timóteo, 34 anos, relembra outra proposta, “a Secretaria de Habitação queria transferir as famílias para os bairros Campo Belo e Jardim Aeroporto. Eu perguntei para o Von Zuben: Você iria? É lógico que não. Temos uma vida aqui, trabalhamos, nossos filhos estudam. É complicado”, defende o representante.
Diante da argumentação e dos alertas representados por órgãos civis sobre os riscos iminentes do local, Silva rebate. “Falam que aqui é área de risco, mas isso depende do ângulo. Para mim, tráficos de drogas, violência, também fazem com que um lugar seja de risco. Todo lugar é uma área de risco, dependa forma com que você olha”, completou.
Para Bruno, outros motivos contribuem para a permanência das famílias. “Acredito que, mesmo que a prefeitura apresente projetos, 70% das pessoas não saem. Eles não pagam água, luz ou aluguel. A conta de água que vem é simbólica, muitas vezes de R$ 4,00”, explica o ex-morador.
Timóteo Silva conta que são freqüentes as tentativas de ocupação. “Atualmente não deixamos ninguém construir no local, mas acontecem coisas absurdas. Uma vez, um rapaz fez um barraco durante a madrugada, aí, pela manhã, o mandamosele desmontar. Não deixamos bater um prego” finalizou.
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