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Fonte: http://www.campinas.sp.gov.br/saude/noticias/not_11_09/not_26_11_09e.htm
Autor: Denize Assis
A Secretaria de Saúde de Campinas reuniu-se no dia 26 de novembro, com a comunidade de um condomínio localizado em um bairro na região leste de Campinas para informar a população sobre a notificação de um caso confirmado de Leishmaniose Visceral Canina, providências que estão sendo adotadas, situação da doença e a importância da mobilização da população.
O caso, confirmado por exames laboratoriais, consiste no primeiro registro autóctone desta doença em cão no município - outros dois casos imprtados já haviam sido confirmados este ano em outras regiões da cidade. A ocorrência ainda está sob investigação para que se esclareça de que forma este animal contraiu a doença (investigação canina), para identificação do vetor (investigação entomológica) e análise ambiental (investigação ambiental).
As investigações estão sendo conduzidas pela Secretaria de Saúde de Campinas - por meio da Vigilância em Saúde e Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), em conjunto com o Centro de Saúde da área onde foi registrado o caso – e Secretaria de Estado da Saúde – por meio da Superintendência do Controle de Endemias (Sucen), Instituto Adolfo Lutz e Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE).
No Brasil, a Leishmaniose Visceral (LV) é considerada um grave problema de saúde pública, tendo em vista sua magnitude, expansão geográfica e controle complexo, caro e trabalhoso. É de notificação compulsória, o que significa que as ocorrências têm que ser informadas às autoridades sanitárias rapidamente.
A Leishmaniose Visceral está presente em 21 estados brasileiros e nos últimos anos foi registrada uma média anual de 3.357 casos humanos e 236 óbitos. É uma doença que atinge principalmente populações de baixa renda, sendo considerada emergente devido à sua urbanização e à co-infecção com o vírus da imunodeficiência humana (HIV).
No Estado de São Paulo, está presente em vários municípios e tem se expandido desde 1998, quando foi registrado o primeiro caso em Araçatuba, na região Oeste do Estado. Em 2008, foram registrados 1.536 casos humanos no Estado e 134 óbitos. Esta expansão se deve à expansão do reservatório na área urbana – o cão doméstico,
importante elo na cadeia epidemiológica da leishmaniose visceral em áreas urbanas -, do vetor – mosquito palha ou birigui – e à grande circulação de pessoas.
Segundo o médico infectologista Rodrigo Angerami, da Vigilância em Saúde de Campinas, no Brasil, até o momento, todos os municípios que se tornaram endêmicos tiveram como primeiro caso na cadeia de transmissão um cão soropositivo. Em várias regiões geográficas a epidemia canina precedeu a epidemia humana. “Por isso, este primeiro caso autóctone em Campinas é muito relevante”, diz.
Rodrigo Angerami informa que Campinas era considerado um município silencioso em relação a esta doença, já que era suscetível por conta da proximidade com outras cidades com transmissão. Com esta ocorrência, passou a ser considerado município em investigação.
A leishmaniose visceral tem t
ratamento em humanos. No entanto, no cão, o tratamento não está indicado porque representa risco para a saúde pública. A proibição do tratamento canino está indicada na Portaria IM nº 1.426 (2008) que regulamenta o Decreto nº 51.838 (1963), dos Ministérios da Saúde e da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
O que é?
A leishmaniose visceral é uma zoonose que pode afetar o homem. É infecciosa, mas não contagiosa, ou seja: não é transmitida de pessoa para pessoa. Acomete vísceras, como o fígado e o baço, podendo ocasionar aumento de volume abdominal.
Qual o agente envolvido?
É causada por protozoário da família Tripanosoma, gênero Leishmania e espécie Leishmania chagasi.
Quais os sintomas?
Os sintomas são febre e aumento do volume do fígado e do baço, emagrecimento, complicações cardíacas e circulatórias, desânimo, prostração, apatia e palidez. Pode haver tosse, diarréia, respiração acelerada, hemorragias e sinais de infecções associadas. Quando não tratada, a doença evolui podendo levar à morte até 90% dos doentes.
Como se transmite?
A LV é transmitida ao homem por meio da picada do inseto vetor (L. chagasi) conhecidos popularmente como "mosquito-palha, birigui, asa branca, tatuquira e cangalhinha". Esses insetos têm hábitos noturnos e vespertinos, atacando o homem e os animais, principalmente no início da noite e ao amanhecer.
No Brasil, não há registro de transmissão direta de pessoa para pessoa.
Como tratar?
O SUS oferece tratamento específico e gratuito para a doença. O tratamento é feito com uso de medicamentos específicos à base de antimônio, repouso e uma boa alimentação. A droga de primeira escolha para tratamento de casos de LV é o antimoniato de N-metil glucamina (Glucantime®). Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a dose do Glucantime® deve ser calculada em mg/Sb+5/Kg/dia, Sb+5, significando antimônio pentavalente. O esquema de tratamento é de 20 mg/Sb+5/Kg/dia por um período de 30 a 40 dias. É importante reforçar que quanto antes o doente procurar orientação médica e tratamento, maior a possibilidade de recuperação e cura.
Como prevenir?
As medidas de controle são distintas e adequadas para as áreas com transmissão, como eliminação de cães infectados, controle químico do inseto transmissor e a destinação correta do lixo, entre outras medidas de higiene e conservação ambiental que evitam a proliferação do vetor. Entretanto é de fundamental importância que as medidas usualmente empregadas no controle da doença sejam realizadas de forma integrada, para que possam ser efetivas.
http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/manual_lv_grave_nc.pdf
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