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Notícias

17.11.2008

Djavan encerra com “Matizes” a temporada 2008 do Unimed Arte

Show do cantor e compositor alagoano terá lugar na Red Eventos

Fechando com chave de ouro a temporada 2008 do Unimed Arte, o cantor e compositor Djavan apresenta para Campinas Região o show Matizes, no dia 3 de dezembro, em sessão única na Red Eventos de Jaguariúna, à 21h30. O show que deriva do CD homônimo lançado em outubro de 2007 já percorreu o Brasil, com enorme sucesso. Os ingressos estarão à venda a partir de 17 de novembro, na FNAC do Shopping Dom Pedro, 10h00 às 20h00 de segunda a sábado e aos domingos das 12h00 às 20h00. Cliente da Unimed Campinas têm desconto especial. Serão disponibilizadas 1.300 cadeiras numeradas.

Com cenário de Muti Randolph e design de luz de Maneco Quinderé, Djavan sobe no palco acompanhado pelos filhos Max Viana (guitarra e voz) e João Viana (bateria), além da super banda formada por Sérgio Carvalho (baixo e voz), Renato Fonseca (teclados e voz), Josué Lopez (saxofones), François Lima (trombone e voz) e Walmir Gil (trompete e voz).

No repertório do show, os novos sucessos "Pedra" e "Delírio dos mortais", além dos clássicos "Oceano", "Sina", "Flor de Lis", "Eu te devoro" entre outros sucessos.

Serviço
Show: “Matizes”, com Djavan
Dia: 03 de dezembro de 2008
Horário: 21h30
Local: Red Eventos
Preços: Clientes Unimed R$ 70,00
Inteira: R$ 100,00
Meia: R$ 50,00 (estudantes e maiores de 65 anos)
Capacidade: 1.300 pessoas sentadas (as cadeiras serão numeradas)

Sobre o Show “Matizes”

Há autores cuja marca autoral (desculpem a redundância) é tão evidente que tudo em torno soa “autoral”. Em Djavan, a música é autoral, a letra é autoral, o canto é autoral, isso é evidente. Mas autorais também são os arranjos. Autoral também é a banda, sempre a mesma em todas as faixas, íntima do autor a não mais poder e não só por conter dois de seus filhos, o guitarrista Max e o baterista João Viana, mas por acompanhá-lo show a show há quase uma década. A banda, quase que como uma extensão do violão e sobretudo das idéias musicais de Djavan, é básica no baixo de Sérgio Carvalho, no piano de Renato Fonseca e colorida pelo naipe de sopros formado por alguns dos melhores solistas do país, o niteroiense Marcelo Martins (saxofone tenor e flauta) e os paulistas Walmir Gil (trompetes) e François Lima (trombone). O violão e a guitarra de Djavan são onipresentes, mas não mais djavânicos que o resto da banda. O som é único, puro Djavan, burilado no dia-a-dia e no estúdio profissional que o autor montou e mantém em casa. Ou seja, até o estúdio é autoral.

“Matizes”, décimo oitavo disco de Djavan, é, como se vê, o mais radicalmente autoral de todos e não apenas por conter exclusivamente 12 novas canções autorais. Até a gravadora é autoral, a Luanda Records, em seu terceiro lançamento. E mesmo a capa, quadrados à Mondrian, que vão sutilmente mudando de cor, busca revelar a intenção (e desculpem a redundância de novo) autoral do autor: revelar uma única expressão musical, tão característica, em seus diversos “matizes”.

Djavan é autor ambicioso desde que se lançou autor em 1976 a bordo de mega-sucessos como “Fato consumado” e “Flor-de-lís”, sambas diferentões que embasbacaram o meio musical brasileiro, e já com larga experiência adquirida em boates cariocas e nos estúdios onde emprestava a voz para temas de novela. Agora, mais do que mais um disco autoral, Djavan decanta em “Matizes” as várias tonalidades de sua vasta obra. Trata-se de um painel.

“Joaninha”, por radicalmente djavânica, é a canção ideal para se começar tal painel autoral. É um “instant classic”, canção típica do autor de “Açaí” e “Oceano”: harmonia complexa, melodia original, sonoridade estranha (que vai do clima de uma balada romântica às curvas angulosas de uma canção mourisca, do naipe de sopros jazzístico à guitarra de rock clássico, tudo cheio de variações rítmicas) de resultado misterioso e encantador. A letra, uma sofisticada reflexão pessoal, uma parada para pensar, é composta de imagens poéticas tão típicas de Djavan (e que somente ele parece conseguir fazer), repleta de metáforas cromáticas e inspiradas na natureza: “Bem quando a luz do cacto/Reflete ao sol altivo/A chuva rompe o pacto/Inundando a tarde quente/E o prazer que sente a joaninha/Quando anda pela flor/Ganha um quê de sacrifício e dor”.

No painel da criatividade de Djavan não poderia faltar o samba, matriz musical de qualquer autor brasileiro que se preze. E aí há uma das melhores notícias para os fãs do compositor: Djavan voltou a se dedicar ao samba. A própria faixa-título, “Matizes”, é uma daquelas incursões de Djavan pelo gênero-mãe da música urbana brasileira, um samba ao mesmo tempo delicioso, comunicativo, fácil de gostar mas altamente pessoal. A harmonia é levada pela guitarra de Max Viana emulando um cavaquinho. Aquela parte em que ele canta, “Ficamos sós/Perdi a voz /Você sorriu/Foi quando eu ri também/Pensei que morreria”, vai fazer com que esse samba entre nas antologias e no repertório dos jovens grupos de samba espalhados pelo país.

“Delírio dos mortais” é outro samba, um samba-exaltação ao Rio, um samba de malandro feito à medida para as gafieiras da cidade. O autor alagoano presta pela primeira vez um tributo à cidade que escolheu para viver. Mas não poderia deixar de imprimir sua marca... autoral: “Pra delírio dos mortais/Pedras monumentais/Combinaram aqui/Um encontro colossal”.

É samba também “Imposto”, mas um tipo de samba novo, inventando aqui por Djavan: a “bossa nova de protesto”. E o autor protesta, de forma clara, direta, contra a carga fiscal abusiva, contra a corrupção, contra os péssimos serviços prestados pelo Estado, pela impotência do cidadão comum.

Já “Azedo e amargo” é também um samba, só que meio disfarçado, de harmonia rica, melodia típica e cheio de quebradas rítmicas. Como “Joaninha”, outro “instant classic” tipo “Oceano”. Trata-se de uma declaração de amor a uma moça agridoce, que “Se ela fosse planta seria/A comigo-ninguém-pode”.

Mas nem só de sambas de vários matizes vive o “Matizes” de Djavan. Há desde um misto de bolero e son cubano bem latino e dançante como “Louça fina” a um típico “blues do Djavan” (como certa vez definiu Caetano Veloso), “Desandou”. A balada “Por uma vida em paz” também tem clima “jazzy”, próximo da grande canção americana, para falar de questões universais na belíssima letra: “Não sei bem o que dizer /Sobre o mal na terra:/Acho que o amor hesitou”.

Há também aquele tipo de canção tipicamente djavânicas que as rádios e as platéias dificilmente resistem. E é impressionante como ele as compõem aos borbotões. É o caso de “Fera”, de “Pedra” e de “Adorava me ver como seu”. Este trio de canções típicas mostra a síntese musical achada por Djavan, mostra como a banda está afiada e traduz o seu universo autoral, e mostra como ele desenvolveu um discurso musical e amoroso próprio. Senão, vejam a letra de “Pedra”: “Amor, me perco em lágrimas/Não mais a vi, desde abril, fui pro mar/E você lá deitada na pedra/Que inveja dessa pedra”.

Dos sambas ao blues, das baladas aos boleros, de canções inventivas (como a bossa nova de protesto) às canções típicas, “Matizes” matiza as tonalidades de uma obra em plena maturidade. Djavan é um artista que achou sua expressão mais pura. E ela está aqui.

Biografia

Djavan Caetano Viana nasceu em 27de Janeiro de 1949 em Maceió AL. De família pobre, aos 16 anos começou a tocar violão, que aprendeu de ouvido. Em Maceió, formou o grupo Luz, Som, Dimensão, mais conhecido como LSD, com repertório dos Beatles. Mudou-se para o Rio de Janeiro RJ em 1973, quando foi contratado como crooner na boate Number One.

Em 1975 foi premiado com o segundo lugar pela canção “Fato Consumado”, no Festival Abertura, da TV Globo. No ano seguinte, gravou o primeiro LP, “A voz, o violão e a arte de Djavan”, pela Som Livre, que incluía uma de suas criações mais consagradas: “ Flor-de-lis”. No final da década de 1970, suas composições adquiriram estilo de grande lirismo e letras com elaborados jogos de imagens. Em 1980, pela EMI, lançou o disco “Alumbramento”. Seu disco seguinte, “Seduzir”, apresentava trabalho percussivo com características africanas, incluindo sucessos como “Açaí” e “Faltando um pedaço”. Assinando contrato com a CBS (atual Sony Music), viajou para os EUA para gravar “Luz”, disco que incluiu a expressão "caetanear" na letra de “Sina”, retribuída por Caetano Veloso ao gravar a música no LP “Cores e Nomes”, em que usa o verbo "djavanear". Além disso, “Luz” contou com a participação de Stevie Wonder na faixa “Samurai”. Em 1984 lançou “Lilás” (com Lilás, Esquinas, Infinito) e participou como ator do filme “Para viver um grande amor”, de Miguel Faria Jr.

Ainda na década de 1980, gravou os discos “Meu Lado” (1986), com “Segredo”, “Topázio” e “Quase de manhã”; “Não é azul mas é mar” (1987), com “Dou não dou”, “Florir”, “Soweto” – gravado nos EUA, em inglês, como “Bird of Paradise” (1988) –; e “Djavan” (1989), com “Corisco”, “Vida Real”, e cuja música “Oceano”, acompanhada pelo violão de Paco de Luccia, foi incluída na trilha da novela Top Model, da TV Globo.

Seus discos, que passaram a mesclar diversos gêneros musicais, como samba, funk, música de viola, baladas e ritmos africanos, tornaram-se sucesso no mercado brasileiro e internacional. Na década de 1990, lançou os CDs “Coisa de Acender” (1992, Sony), em que aparece “Linha do Equador”, sua primeira composição em parceria com Caetano Veloso; “Novena” (1994, Sony), em que explora a tradição nordestina e faz parceria com a filha Flávia Virgínia na música “Avo”; e “Malásia” (1996, Sony), que traz “Correnteza” (Tom Jobim e Luís Bonfá) e “Sorri” (Smile, Charles Chaplin, versão de João de Barro). Algumas de suas composições encontraram grandes intérpretes, como Gal Costa com “Açaí”, Maria Bethânia com “Álibi”, Caetano Veloso com “Oceano”, Roberto Carlos com “A ilha” e Nana Caymmi com “Meu bem-querer”. Nos EUA, teve intérpretes como Carly Simon, Al Jarreau, Carmen McRae e o grupo Manhattan Transfer. Foram seus parceiros Artur Maia, Orlando Morais, Gilberto Gil e Chico Buarque, além de Cacaso, Aldir Blanc, Nelson Mota, entre outros.

Djavan é pai dos cantores Flávia Virgínia e Max Viana e do músico João Viana.

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