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O prefeito de Campinas, Demétrio Vilagra (PT), foi cassado por 29 votos a favor contra quatro contrários na noite desta quarta-feira. Foram 33 horas de leitura das 1.440 páginas do relatório da Comissão Processante (CP) e mais cinco horas para os discursos dos vereadores, do próprio prefeito e de dois advogados de defesa, além da contagem dos votos nominais dos parlamentares. Vilagra é o segundo prefeito a ser cassado na cidade em quatro meses.
No começo da noite, o plenário, que na maior parte do dia esteve vazio, foi ocupado tanto por populares partidários de Vilagra como por opositores. O agora ex-prefeito fez um discurso de 40 minutos afirmando ser inocente. "Nada há contra mim", repetiu. "Essa CP é uma peça de ficção", afirmou. O advogado de defesa, Hélio Silveira, disse que a CP se baseou em declarações de um réu confesso, o ex-presidente da Sanasa, Luiz de Aquino, delator do esquema que acabou por derrubar o antecessor de Vilagra do cargo. "Mas que não trouxe provas concretas da participação de Demétrio Vilagra em quaisquer fatos."
De acordo com a CP, Vilagra tem responsabilidade nas ações do governo quando era vice e substituiu o então prefeito Hélio de Oliveia Santos (PDT), o Dr. Hélio, que foi cassado por outra CP por improbidade administrativa em 20 de agosto. Segundo a comissão, Vilagra sabia das ações de desvio de dinheiro dentro do governo e não fez nada para impedir que a ocorrência continuasse. Agora, o cargo será ocupado pelo presidente da Câmara, Pedro Serafim (PDT), que terá que convocar eleições.
O petista assumiu a cidade pela primeira vez em 23 de agosto. Ele, Dr. Hélio e sua mulher, a ex-primeira-dama e ex-chefe de gabinete Rosely Nassin Santos, estão entre outras 20 pessoas acusadas de envolvimento em fraudes em contratos públicos, tráfico de influência e formação de quadrilha. O petista chegou a ser afastado entre 28 de outubro e 3 de novembro, mas retornou ao cargo por decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo.
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