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Por Sebastião de Almeida Júnior, 22h17
Como já deve ser do conhecimento do(a) Caro(a) Leitor(a), a palavra “bonsai” identifica uma técnica japonesa utilizada para inibir o crescimento de determinadas plantas cultivadas em vasos.
Mas o que indicaria a expressão “empresa bonsai”?
Para explicar esta expressão, sirvo-me da triste história apresentada a seguir:
Faz algum tempo, fui convidado por Renata, herdeira de uma empresa metalúrgica, para um almoço. Nos conhecemos há cerca de uns sete anos, quando ela solicitou uma proposta para aperfeiçoamento da estrutura desta empresa, acreditando que seria a coordenadora de um projeto que revitalizaria sua organização.
A proposta foi apresentada primeiramente a ela e, depois, para seu pai que, apesar dos seus vários pedidos de esclarecimento e das várias promessas de pensar a respeito do assunto, nunca permitiu que os trabalhos sugeridos fossem realizados.
Sem dúvida ela ficou frustrada. Ao longo do tempo, outras propostas suas foram desprezadas. Mas o que a levou a desistir de atuar com seu pai, foi ouvi-lo dizer que a ela faltava “intuição para o negócio”.
Durante o almoço, Renata comentou a situação da empresa que ela herdara com a morte de seu pai: poucos e antigos clientes cheios de privilégios, equipamentos obsoletos, processos arcaicos, empregados acomodados e competências defasadas; aspectos que juntos só se sustentavam porque todos os bens da empresa e os particulares de seu pai estavam comprometidos com bancos. Portanto, não lhe restava (segundo o seu entendimento) nenhuma alternativa senão fechar a empresa e ficar conhecida na cidade, como aquela que não conseguiu dar continuidade a um empreendimento que o pai havia preservado durante mais de quarenta anos.
Buscando um meio para explicar-lhe o ocorrido naquela empresa de tal forma que ela percebesse não adiantar se sentir culpada nem acreditar que haveria outra saída, recorri a uma comparação entre sua empresa e um bonsai.
Seu pai havia cuidado daquela metalúrgica durante muito tempo como se fosse uma destas arvorezinhas mantidas em pequenos vasos, que servem somente como ornamento. O orgulho do patriarca era participar das reuniões do grupo de empresários da cidade, do qual era um dos fundadores, podendo sempre afirmar que não devia nada a fornecedores, não tinha nenhum processo contra sua empresa na justiça trabalhista, nem deixava de cumprir seus compromissos junto aos seus clientes.
Ou seja, a sua empresa-bonsai tinha folhas verdes, seu tronco era firme e livre de pragas, suas raízes ocupavam todo o espaço do pequeno vaso onde estava aprisionada, sendo permanentemente cortadas pelo empresário que não a desejava maior do que aquilo que ele era capaz de dominar e controlar; portanto, a nutria com o suficiente para continuar viva, mas não lhe dava a menor chance de se desenvolver. Assim, ele e sua empresa permaneciam isolados sem agredir e sem serem agredidos.
Impedindo que esta participasse efetivamente do mundo dos negócios, mantinha alguns traços vitais qual um paciente em coma mantido vivo com a ajuda de aparelhos, mas não tinha vitalidade.
A arvorezinha não dava sombra para abrigar processos saudáveis, capazes de fornecer frutos generosos e disputados pelos clientes, pois de tanto ser podada se via na total impossibilidade de conquistar outros atributos e, acanhadamente, se contentava com a longevidade.
Agindo desta maneira, o patriarca somente preservou seu orgulho. Este foi seu único patrimônio. A dor e a vergonha de Renata são somente parte do preço pago para manter a frágil imagem de empresa saudável dirigida por um empresário autoritário e centralizador.
Para Renata, não restou alternativa senão fechar a empresa, enfrentar a opinião pública com serenidade, perdoar seu pai e prosseguir na sua carreira em outras empresas.
Sebastião de Almeida Júnior é consultor na área de Desenvolvimento Gerencial & Organizacional desde 1987 e Professor convidado do Instituto de Economia da UNICAMP, e autor de seis livros sobre temas empresariais.
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