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Na ativa desde setembro de 2001, o Casuarina é um dos principais grupos da nova cena carioca de samba.
Criado por Daniel Montes (violão 7 cordas), Gabriel Azevedo (pandeiro e voz), João Cavalcanti (tan tan e voz), João Fernando (bandolim e vocais) e Rafael Freire (cavaquinho e vocais), em pouco tempo, o Casuarina já se apresentava sistematicamente na Lapa, principal reduto boêmio carioca.
O disco, muitíssimo bem recebido pela crítica dos principais jornais do país, acabou tendo vendagem e repercussão bem acima das expectativas. Por este trabalho, o casuarina foi indicado ao Prêmio Tim, principal premiação musical do Brasil, na categoria “Melhor Grupo de Samba”, e recebeu o Prêmio Rival BR como “Melhor Grupo”.
O segundo CD do Casuarina, “Certidão”, saiu em outubro de 2007, também pela Biscoito Fino. O grupo ousou e apostou em composições próprias: das 14 faixas, dez são autorais.
Além do show, o público poderá desfrutar dos melhores petiscos da baixa gastronomia de botequim, acompanhado do melhor chopp ou da cerveja mais gelada, na casa mais carioca de Campinas.
Data: 02 e 03 outubro, a partir das 19 horas.
Valor: R$ 10,00 mulher e R$ 15,00 homem de entrada. (Após as 22h ou lotação da casa alteração de preço).
LOCAL: Casa Rio Bar e Restaurante
Av. Antonio Carlos Couto de Barros, 1382 - Sousas - Campinas - SP
Informações:
(19) 3258-3645
Estréia do grupo formado na Lapa carioca incorpora juventude e irreverência à antologia do samba.
CD tem participação de Teresa Cristina
A revitalização do samba no século XXI anda de mãos dadas com a efervescência da nova cena musical da Lapa carioca. Dentre os vários jovens grupos de samba que ajudam a perpetuar o gênero nos antigos sobrados e casarios reciclados do bairro mais boêmio do Rio – a partir de uma rapaziada que não sente a falta de um cavaco, pandeiro ou tamborim – está o Casuarina, que lança seu primeiro CD, pela Biscoito Fino.
Formado por Gabriel Azevedo (voz e pandeiro), Daniel Montes (violão de 7 cordas), João Fernando (bandolim e vocais), João Cavalcanti (voz e tan tan) e Rafael Freire (cavaquinho e vocais), o Casuarina estréia em disco recriando sambas antológicos – de diferentes gerações – ambientados também entre componentes da música nordestina.
O repertório abrange o Brasil sambista, entre autores cariocas (Nelson Cavaquinho, Zé Kéti, Nelson Sargento, Wilson Moreira, Nei Lopes), mas também de São Paulo (Adoniran Barbosa), Bahia (Gordurinha e os Novos Baianos), Paraíba e Pernambuco (um vasto pot-pourri com canções de Jackson do Pandeiro, Antonio Barros, Rosil Cavalcanti), com participação de Teresa Cristina (em “Swing do Campo Grande”) e Pedro Miranda (em “400 anos de favela”). O Casuarina injeta juventude no samba, onde o Brasil é mais carioca, além das fronteiras da Lapa.
O disco abre com um standard mangueirense, “Pranto de poeta”, de Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito. Do “pranto sem lenço que alegra a gente” aos “400 anos de favela”, do portelense Zé Kéti (com vocal de Pedro Miranda), o Casuarina redescobre a “Súplica cearense”, do genial Gordurinha, trocando o morro pelo sertão, o malandro pelo retirante, o feitio de oração carioca pela incelença nordestina. Ainda entre os clássicos, está “Já fui uma brasa”, de Adoniran Barbosa, da época em que o samba se ressentia de uma maior exposição radiofônica (alguma semelhança com os dias de hoje?), em detrimento dos timbres ingênuos das guitarras da Jovem-Guarda.
Atualmente, a partir de grupos como Casuarina, o samba parece abarcar guardas velhas e jovens numa única guarda atemporal, em que há espaço para o rigor rítmico e étnico de Nei Lopes (“Na intimidade meu preto”) conjugado com o samba setentista, de inspiração hippie, como o “Swing de Campo Grande” - de Morais, Galvão e Paulinho Boca de Cantor - aqui com participação de Teresa Cristina. Afinal, todo sambista tem carne de carnaval – e o coração igual.
O sambista, por excelência, jamais fica doente do pé, como atestam “Laranja Madura” e “Formiga miúda”, composições menos conhecidas de Ataulfo Alves (“Laranja madura / na beira da estrada / tá bichada, Zé / ou tem marimbondo no pé”) e Wilson Moreira, respectivamente (“Lua que não muda, não muda a maré (...) formiga miúda / não morde o meu pé”).
Da fina flor - e fauna - para o pensamento do samba, em “Minha filosofia”, do compositor do Império Serrano Aluisio Machado (“a terra fértil um dia se cansa / relógio que atrasa não adianta / o remédio que cura também pode matar”), e “Falso moralista”, de Nelson Sargento (“você se julga um tanto bom e até perfeito / por qualquer coisa deita logo falação / mas eu conheço bem o seu defeito / e não vou fazer segredo não”), o repertório explicita a ética do gênero.
Ratificando a teoria de Jackson do Pandeiro – de que tanto o samba como o baião descendem diretamente do coco – o álbum dedica um pot-pourri de nove minutos a sucessos do cantor paraibano. São cinco canções num único fôlego, a exemplo de “Cabo Tenório”, “Babá de cachorro” e do amor nos tempos de “Rosa” (“comprei um papel florado e um envelope pra mandar dizer / numa carta bem escrita o que sinto por você / a carta está demorando porque não sei escrever”). Na trilha dos bambas da música brasileira, o Casuarina canta o romance, a ironia e a barra pesada como se fosse tudo uma coisa só. No que o samba, o baião, e o coco tem de sabedoria popular, mesmo quando é preciso endurecer - no discurso, jamais no ritmo -, sem perder o bom humor.
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